Eletricidade Básica para Automação Industrial: Tensão, Corrente, Resistência e Potência.

 

Introdução

A eletricidade é uma das bases da automação industrial. Antes de aprender programação de CLPs, comandos elétricos, inversores de frequência, sensores ou acionamentos de motores, é importante compreender alguns conceitos fundamentais da eletricidade.

Em uma máquina industrial, praticamente todos os equipamentos dependem de energia elétrica para funcionar. Sensores enviam sinais elétricos, CLPs recebem e processam esses sinais, contatores acionam cargas, inversores controlam motores e fontes de alimentação fornecem energia para os circuitos de controle.

Para quem está começando, termos como tensão, corrente, resistência e potência podem parecer complicados. Porém, quando entendemos cada conceito por meio de exemplos práticos, eles se tornam muito mais simples.

Neste artigo, vamos aprender os principais fundamentos da eletricidade aplicados à automação industrial e entender como essas grandezas aparecem no dia a dia de máquinas e painéis elétricos.

Por que aprender eletricidade para trabalhar com Automação Industrial?

Imagine um sensor industrial alimentado em 24 Vcc instalado em uma esteira transportadora. Para instalar, testar ou diagnosticar esse sensor, precisamos entender o que significa sua tensão de alimentação, como a corrente circula pelo circuito e como realizar medições elétricas corretamente.

O mesmo acontece quando trabalhamos com CLPs, IHMs, relés, contatores, fontes de alimentação, motores e inversores de frequência.

Por isso, compreender os fundamentos da eletricidade ajuda o profissional de automação a interpretar diagramas elétricos, realizar medições, identificar falhas e compreender o funcionamento dos equipamentos industriais.

Importante: trabalhos em instalações elétricas industriais envolvem riscos graves. Medições e intervenções em equipamentos energizados devem seguir os procedimentos de segurança aplicáveis e ser realizadas somente por pessoas devidamente qualificadas, capacitadas ou autorizadas.

O que é Tensão Elétrica?

A tensão elétrica representa a diferença de potencial elétrico entre dois pontos de um circuito. De maneira simples, podemos pensar nela como a "força" que impulsiona a corrente elétrica através do circuito.

A unidade utilizada para medir tensão é o volt, representado pela letra V.

Na automação industrial, encontramos diferentes níveis de tensão dependendo do equipamento e da aplicação. Um valor muito comum nos circuitos de comando e controle é 24 V em corrente contínua (24 Vcc).

Por exemplo, uma fonte de alimentação pode receber tensão alternada em sua entrada e fornecer 24 Vcc para alimentar equipamentos como:

  • CLPs;
  • sensores;
  • módulos de entrada e saída;
  • relés;
  • IHMs;
  • outros dispositivos de controle.

Exemplo prático: sensor de 24 Vcc

Imagine um sensor fotoelétrico instalado em uma esteira transportadora e alimentado por uma fonte de 24 Vcc.

Quando uma caixa passa na frente do sensor, ele detecta sua presença e altera o sinal enviado para uma entrada digital do CLP.

De maneira simplificada, podemos representar parte desse sistema assim:

Fonte 24 Vcc → Sensor → Entrada do CLP

Esse é um exemplo de como a tensão elétrica está presente constantemente nos sistemas de automação industrial.

Como medir uma tensão?

A tensão pode ser medida utilizando um multímetro configurado corretamente para o tipo e a faixa de tensão do circuito.

Diferentemente da medição de corrente, a medição de tensão é realizada entre dois pontos do circuito, ou seja, conectando o instrumento em paralelo com os pontos cuja diferença de potencial queremos verificar.

Em um circuito de 24 Vcc, por exemplo, uma medição entre os terminais positivo (+24 V) e referência/0 V da fonte deverá apresentar aproximadamente a tensão fornecida pela fonte, considerando as condições reais do circuito.

Atenção: nunca realize medições em painéis ou equipamentos energizados sem treinamento, qualificação e procedimentos de segurança adequados. Uma configuração incorreta do multímetro ou conexão inadequada das pontas de prova pode causar acidentes e danos aos equipamentos.

Diagrama de automação industrial mostrando fonte 24 Vcc alimentando sensor fotoelétrico conectado à entrada digital de um CLP.

Corrente Elétrica

A corrente elétrica é o movimento ordenado de cargas elétricas através de um condutor. De maneira simples, podemos imaginar a corrente como o fluxo de eletricidade que circula pelos fios e pelos equipamentos de um circuito.

A unidade utilizada para medir a corrente elétrica é o ampère (A). Em circuitos eletrônicos e de automação também é muito comum utilizar o miliampère (mA).

1 A = 1000 mA

Na automação industrial, diferentes equipamentos trabalham com diferentes níveis de corrente. Sensores, entradas e saídas de CLPs, relés, contatores, válvulas solenoides e motores possuem características de consumo diferentes.

Por exemplo, considere novamente um sistema alimentado por uma fonte de 24 Vcc.

A fonte fornece a tensão necessária para alimentar os equipamentos, mas cada dispositivo consome uma determinada quantidade de corrente conforme suas características elétricas.

Um sensor fotoelétrico industrial, por exemplo, pode necessitar de apenas alguns miliampères para funcionar. Já uma válvula solenoide, um contator ou outro dispositivo de maior potência pode exigir uma corrente significativamente maior.

Tensão e corrente não são a mesma coisa

É importante não confundir tensão elétrica com corrente elétrica.

A tensão pode ser entendida como a diferença de potencial que permite movimentar as cargas elétricas pelo circuito, enquanto a corrente representa o fluxo dessas cargas.

Uma comparação simples pode ser feita com uma tubulação de água:

Tensão → pressão da água

Corrente → quantidade de água circulando pela tubulação

Essa comparação não representa todos os fenômenos elétricos, mas ajuda bastante a compreender inicialmente a diferença entre tensão e corrente.

Exemplo prático em Automação Industrial

Imagine uma fonte industrial com as seguintes características:

Entrada: 100–240 Vca
Saída: 24 Vcc
Corrente máxima: 5 A

Isso significa que a fonte mantém aproximadamente 24 Vcc em sua saída e pode fornecer corrente aos equipamentos conectados, respeitando o limite especificado pelo fabricante.

Suponha que nesse circuito existam alguns dispositivos consumindo:

Sensor 1: 50 mA
Sensor 2: 50 mA
CLP: 500 mA
IHM: 700 mA

O consumo total aproximado será:

50 + 50 + 500 + 700 = 1300 mA

Como:

1000 mA = 1 A

então:

1300 mA = 1,3 A

Nesse exemplo, uma fonte de 24 Vcc / 5 A possui capacidade suficiente para alimentar uma carga total de aproximadamente 1,3 A, considerando apenas esses equipamentos.

Na prática, o dimensionamento de uma fonte deve considerar também outros dispositivos, correntes de partida, expansão futura do sistema e uma margem adequada de projeto.

O que acontece quando um equipamento exige corrente demais?

Todo equipamento e todo condutor possuem limites elétricos.

Quando uma carga exige uma corrente superior àquela prevista para o circuito, podem ocorrer problemas como aquecimento dos condutores, queda de tensão, atuação das proteções, desligamento da fonte ou danos aos equipamentos.

Por esse motivo, conhecer a corrente consumida pelos dispositivos é fundamental para dimensionar corretamente fontes de alimentação, cabos, fusíveis, disjuntores e outros componentes de proteção.

Como medir corrente elétrica?

A corrente elétrica pode ser medida utilizando um multímetro ou, dependendo da aplicação, um alicate amperímetro apropriado ao tipo e à faixa de corrente.

Ao utilizar um multímetro para medir corrente, existe uma diferença importante em relação à medição de tensão:

A tensão normalmente é medida em paralelo.

A corrente normalmente é medida em série com o circuito.

Isso significa que, para determinadas medições de corrente com multímetro, o instrumento passa a fazer parte do caminho por onde a corrente circula.

Atenção: uma ligação incorreta do multímetro na função de corrente pode provocar curto-circuito, queimar o fusível interno do instrumento ou causar acidentes. Antes de realizar medições em equipamentos industriais energizados, é necessário conhecer o procedimento correto e respeitar as normas e práticas de segurança aplicáveis.

Corrente elétrica nos sinais industriais de 4–20 mA

Além de alimentar equipamentos, a corrente também pode ser utilizada para transmitir informações em sistemas de automação industrial.

Um dos padrões mais conhecidos é o sinal analógico de:

4–20 mA

Esse tipo de sinal é muito utilizado por transmissores industriais para representar grandezas como pressão, temperatura, nível e vazão.

Por exemplo, um transmissor de pressão configurado para medir de 0 a 10 bar pode utilizar:

4 mA → 0 bar

12 mA → aproximadamente 5 bar

20 mA → 10 bar

O CLP recebe essa corrente através de uma entrada analógica e converte o valor elétrico em uma informação que poderá ser utilizada pelo programa de controle.

Esse é um excelente exemplo de como um conceito básico de eletricidade está diretamente relacionado às aplicações encontradas diariamente na automação industrial.

Diagrama de sinal 4–20 mA mostrando transmissor de pressão conectado à entrada analógica do CLP e à IHM, com exemplo de conversão de 4 a 20 mA para pressão de 0 a 10 bar.

Resistência Elétrica

A resistência elétrica é a oposição que um material oferece à passagem da corrente elétrica. Em outras palavras, ela determina o quanto um componente ou condutor dificulta a circulação da corrente.

A unidade de medida da resistência elétrica é o ohm, representado pelo símbolo:

Ω (ohm)

Na automação industrial, a resistência elétrica aparece em diversos componentes e situações, como resistores, sensores, bobinas, cabos, circuitos eletrônicos e entradas e saídas de equipamentos.

Quanto maior a resistência de um circuito, menor tende a ser a corrente elétrica para uma determinada tensão.

Um exemplo simples

Imagine um circuito alimentado com:

Tensão = 24 Vcc

e conectado a uma carga com:

Resistência = 240 Ω

Podemos calcular a corrente que circulará pelo circuito utilizando uma das fórmulas mais importantes da eletricidade: a Lei de Ohm.

Lei de Ohm

A Lei de Ohm relaciona três grandezas elétricas fundamentais:

Tensão (V)
Corrente (I)
Resistência (R)

A fórmula principal é:

V = R × I

A partir dela também podemos calcular:

I = V ÷ R

e

R = V ÷ I

Onde:

V = tensão em volts (V)
I = corrente em ampères (A)
R = resistência em ohms (Ω)

Exemplo utilizando 24 Vcc

Vamos voltar ao nosso circuito.

Temos:

V = 24 V

R = 240 Ω

Queremos descobrir a corrente:

I = V ÷ R

Substituindo os valores:

I = 24 ÷ 240

I = 0,1 A

Como:

1 A = 1000 mA

então:

0,1 A = 100 mA

Portanto, nesse circuito, a corrente será de aproximadamente:

100 mA

Esse exemplo mostra como tensão, corrente e resistência estão diretamente relacionadas.

Aplicação prática na Automação Industrial

Um exemplo bastante comum está nas entradas digitais de CLPs.

Quando utilizamos um sistema de 24 Vcc, sensores e outros dispositivos enviam sinais elétricos para as entradas do controlador. Internamente, os circuitos de entrada possuem componentes que limitam e condicionam a corrente para que a eletrônica do CLP possa reconhecer corretamente os estados ligado e desligado.

Outro exemplo ocorre nas bobinas de relés e contatores.

Uma bobina projetada para determinada tensão possui características elétricas próprias. Ao aplicar sua tensão nominal, uma determinada corrente circula pela bobina, produzindo o campo magnético necessário para movimentar o mecanismo do dispositivo.

Por isso, nunca devemos escolher um componente apenas observando sua aparência. É necessário verificar informações como tensão nominal, corrente, potência e demais especificações fornecidas pelo fabricante.

Resistência dos cabos

Os próprios cabos elétricos também apresentam resistência.

Embora normalmente seja pequena, essa resistência pode provocar queda de tensão quando existem cabos muito longos ou correntes elevadas.

Imagine, por exemplo, uma fonte de 24 Vcc instalada no painel e um sensor localizado a uma grande distância.

Dependendo do comprimento e da seção do cabo, poderá existir uma pequena queda de tensão entre a fonte e o equipamento.

Por esse motivo, o dimensionamento correto dos condutores também é importante em instalações industriais.

A Lei de Ohm como ferramenta para o técnico de Automação

Entender a Lei de Ohm ajuda bastante durante projetos, montagens e diagnósticos.

Com ela, podemos compreender melhores situações como:

Por que determinada carga está consumindo certa corrente?

Qual resistência corresponde a determinados valores de tensão e corrente?

O que acontece com a corrente quando a resistência aumenta?

Por que pode ocorrer queda de tensão em um circuito?

Esses conceitos serão utilizados diversas vezes quando avançarmos para sensores, comandos elétricos, CLPs, sinais analógicos, relés, contatores e acionamentos.

Diagrama da Lei de Ohm na automação industrial mostrando fonte de 24 Vcc, resistor de 240 ohms e cálculo da corrente de 100 mA, com as relações entre tensão, corrente e resistência.

Potência Elétrica

A potência elétrica representa a quantidade de energia elétrica que um equipamento utiliza ou transforma durante seu funcionamento.

Sua unidade de medida é o watt, representado pela letra:

W = watt

Na automação industrial, conhecer a potência dos equipamentos é importante para dimensionar corretamente fontes de alimentação, cabos, proteções, painéis elétricos e demais componentes do sistema.

Equipamentos como CLPs, IHMs, sensores, relés, contatores, válvulas solenoides, motores e inversores de frequência possuem valores de potência ou consumo especificados pelos fabricantes.

Como calcular a potência elétrica?

Em um circuito de corrente contínua simples, podemos calcular a potência utilizando:

P = V × I

Onde:

P = potência em watts (W)
V = tensão em volts (V)
I = corrente em ampères (A)

Essa fórmula mostra que a potência depende tanto da tensão aplicada quanto da corrente consumida pela carga.

Exemplo prático com 24 Vcc

Imagine uma carga industrial alimentada com:

Tensão = 24 Vcc

e que consome:

Corrente = 0,5 A

Aplicando a fórmula:

P = V × I

Substituindo os valores:

P = 24 × 0,5

Portanto:

P = 12 W

Isso significa que, nessas condições, a carga está utilizando aproximadamente 12 watts de potência elétrica.

Outro exemplo: válvula solenoide

Imagine uma válvula solenoide cuja bobina trabalha em 24 Vcc e consome 250 mA.

Primeiro precisamos converter miliampères para ampères:

250 mA = 0,25 A

Agora aplicamos:

P = V × I

P = 24 × 0,25

P = 6 W

Portanto, a potência elétrica da bobina nesse exemplo é:

6 W

Esse tipo de cálculo é bastante útil durante o dimensionamento de uma fonte de alimentação.

Dimensionando uma fonte de 24 Vcc

Imagine um pequeno sistema de automação contendo os seguintes equipamentos:

CLP: 500 mA
IHM: 700 mA
4 sensores: 50 mA cada
2 válvulas solenoides: 250 mA cada

Primeiro calculamos a corrente total.

Sensores:

4 × 50 mA = 200 mA

Válvulas:

2 × 250 mA = 500 mA

Somando tudo:

500 + 700 + 200 + 500 = 1900 mA

Portanto:

1900 mA = 1,9 A

Considerando todos funcionando simultaneamente nas condições adotadas no exemplo, a potência correspondente em 24 Vcc seria:

P = 24 × 1,9

P = 45,6 W

Assim, a carga considerada nesse exemplo representa aproximadamente:

24 Vcc / 1,9 A / 45,6 W

Podemos utilizar uma fonte exatamente de 1,9 A?

Na prática, normalmente não é uma boa ideia dimensionar uma fonte exatamente no limite calculado.

É importante considerar fatores como expansões futuras, tolerâncias dos equipamentos, condições de operação, picos ou correntes de partida de determinadas cargas e margem recomendada pelo fabricante.

Por exemplo, para uma carga calculada em 1,9 A, uma fonte industrial de 24 Vcc / 3 A, equivalente nominalmente a 72 W, poderia oferecer uma margem maior do que uma fonte dimensionada exatamente para 1,9 A.

Entretanto, a seleção definitiva deve considerar as especificações reais dos equipamentos e as recomendações dos respectivos fabricantes.

Potência em motores e equipamentos industriais

Quando avançamos para motores elétricos e sistemas de potência, os cálculos podem se tornar mais complexos.

Em sistemas de corrente alternada, especialmente motores e circuitos trifásicos, podem entrar outros fatores, como:

fator de potência, rendimento, número de fases e características da carga.

Portanto, a expressão P = V × I apresentada aqui deve ser entendida inicialmente dentro do contexto dos nossos exemplos simples em corrente contínua.

Mais adiante, poderemos estudar separadamente potência em circuitos monofásicos e trifásicos.

Relação entre tensão, corrente, resistência e potência

Agora já conhecemos quatro grandezas fundamentais da eletricidade:

Tensão (V) → medida em volts.

Corrente (I) → medida em ampères.

Resistência (R) → medida em ohms.

Potência (P) → medida em watts.

Essas grandezas estão relacionadas.

Pela Lei de Ohm:

V = R × I

E para potência em nosso circuito CC:

P = V × I

Combinando essas relações, também podemos obter:

P = I² × R

e:

P = V² ÷ R

Não é necessário decorar todas essas fórmulas imediatamente. O mais importante é compreender o que cada grandeza representa e como elas se relacionam dentro de um circuito elétrico.

Aplicação prática na Automação Industrial

Quando um técnico observa na etiqueta de uma fonte:

Saída: 24 Vcc / 5 A

ele já pode calcular uma potência nominal de saída de:

P = 24 × 5

P = 120 W

Essas informações ajudam a avaliar se a fonte possui capacidade adequada para alimentar os equipamentos conectados ao sistema.

Esse conhecimento será importante quando começarmos a estudar painéis elétricos, fontes 24 Vcc, sensores, CLPs, relés, contatores e outros dispositivos utilizados na automação industrial.

Diagrama de potência elétrica na automação industrial mostrando fonte 24 Vcc alimentando CLP, IHM, sensores e válvulas, com cálculo de corrente total de 1,9 A, potência de 45,6 W e exemplo de dimensionamento de fonte 24 Vcc de 3 A.

Resumo das Grandezas Elétricas Fundamentais

Até aqui conhecemos quatro grandezas fundamentais para compreender os circuitos utilizados na automação industrial: tensão, corrente, resistência e potência.

Elas estão diretamente relacionadas e aparecem constantemente nas especificações de fontes, sensores, CLPs, IHMs, relés, contatores, válvulas e diversos outros equipamentos industriais.

Tensão elétrica (V)

A tensão representa a diferença de potencial elétrico entre dois pontos de um circuito.

Sua unidade é o volt (V).

Um exemplo muito comum na automação industrial é:

24 Vcc

Essa tensão é frequentemente utilizada na alimentação de sensores, CLPs, módulos de entrada e saída e outros dispositivos de controle.

Corrente elétrica (I)

A corrente representa o fluxo de cargas elétricas que circula pelo circuito.

Sua unidade é o ampère (A).

Também utilizamos frequentemente:

1 A = 1000 mA

Por exemplo, um sensor pode consumir 50 mA, enquanto uma IHM pode consumir centenas de miliampères ou mais, dependendo do equipamento.

Resistência elétrica (R)

A resistência representa a oposição à passagem da corrente elétrica.

Sua unidade é o ohm (Ω).

A relação entre tensão, corrente e resistência pode ser calculada utilizando a Lei de Ohm:

V = R × I

Também podemos utilizar:

I = V ÷ R

R = V ÷ I

Potência elétrica (P)

A potência indica a quantidade de energia elétrica utilizada ou transformada pelo equipamento durante seu funcionamento.

Sua unidade é o watt (W).

Em nossos exemplos simples de corrente contínua:

P = V × I

Por exemplo:

24 V × 2 A = 48 W

Portanto, uma carga que trabalha em 24 Vcc e consome 2 A corresponde, nessas condições, a aproximadamente 48 W.

As quatro grandezas trabalhando juntas

Podemos resumir:

Tensão (V) → diferença de potencial elétrico.

Corrente (A) → fluxo de cargas elétricas.

Resistência (Ω) → oposição à passagem da corrente.

Potência (W) → energia elétrica utilizada ou transformada por unidade de tempo.

Esses conceitos não devem ser estudados isoladamente. Na prática, eles aparecem juntos.

Imagine novamente um circuito com:

V = 24 V

R = 240 Ω

Pela Lei de Ohm:

I = V ÷ R

I = 24 ÷ 240

I = 0,1 A

Agora podemos calcular a potência:

P = V × I

P = 24 × 0,1

P = 2,4 W

Portanto, para esse exemplo:

Tensão = 24 V

Resistência = 240 Ω

Corrente = 0,1 A ou 100 mA

Potência = 2,4 W

Esse pequeno cálculo demonstra como as quatro grandezas estão relacionadas dentro de um mesmo circuito.

Fórmulas importantes

Para consulta rápida:

Lei de Ohm

V = R × I

I = V ÷ R

R = V ÷ I

Potência elétrica em CC

P = V × I

Combinando a potência com a Lei de Ohm, também podemos obter:

P = I² × R

P = V² ÷ R

No início, não é necessário decorar todas as fórmulas. O mais importante é compreender o significado de cada grandeza e saber identificar qual informação precisamos calcular.

Por que isso é importante na Automação Industrial?

Esses conhecimentos ajudam o profissional de automação a interpretar especificações técnicas, selecionar equipamentos, dimensionar fontes e circuitos e compreender melhor determinados problemas elétricos.

Quando encontramos, por exemplo:

Fonte: 24 Vcc / 5 A / 120 W

já conseguimos interpretar que ela fornece 24 volts em corrente contínua, possui capacidade nominal de corrente de 5 ampères e potência nominal de saída de 120 watts.

Essa base será utilizada continuamente nos próximos estudos de comandos elétricos, sensores, CLPs, IHMs, sinais analógicos, inversores de frequência e sistemas industriais.

Exercícios Práticos

Agora que conhecemos os conceitos de tensão, corrente, resistência e potência elétrica, vamos aplicar essas grandezas em alguns exemplos.

Tente resolver cada exercício antes de consultar as respostas.

Exercício 1 – Lei de Ohm

Um circuito industrial possui uma fonte de 24 Vcc e uma resistência de 240 Ω.

Qual é a corrente elétrica que circula pelo circuito?

Utilize:

I = V ÷ R


Exercício 2 – Calculando a resistência

Um dispositivo é alimentado com 24 Vcc e apresenta uma corrente de 0,2 A.

Qual é a resistência equivalente desse circuito?

Utilize:

R = V ÷ I


Exercício 3 – Calculando a potência

Uma carga industrial trabalha com uma tensão de 24 Vcc e consome uma corrente de 2 A.

Qual é a potência elétrica consumida?

Utilize:

P = V × I


Exercício 4 – Consumo de sensores

Uma máquina possui 10 sensores, sendo que cada sensor é alimentado em 24 Vcc e consome 50 mA.

Qual é a corrente total consumida pelos sensores?

Lembre-se:

1000 mA = 1 A


Exercício 5 – Dimensionamento básico de uma fonte

Considere um pequeno sistema de automação com os seguintes equipamentos:

CLP: 0,8 A
IHM: 1,0 A
Sensores: 0,5 A
Relés e outros dispositivos: 0,7 A

Todos trabalham em 24 Vcc.

Qual é a corrente total necessária para alimentar esses equipamentos?

E qual seria a potência correspondente dessa carga?


Respostas Comentadas

Resposta 1

Temos:

V = 24 V

R = 240 Ω

Aplicando a Lei de Ohm:

I = V ÷ R

I = 24 ÷ 240

I = 0,1 A

Portanto:

I = 100 mA


Resposta 2

Temos:

V = 24 V

I = 0,2 A

Aplicando:

R = V ÷ I

R = 24 ÷ 0,2

R = 120 Ω

Portanto, a resistência equivalente é:

120 Ω


Resposta 3

Temos:

V = 24 V

I = 2 A

Aplicando:

P = V × I

P = 24 × 2

P = 48 W

Portanto, a carga consome 48 watts.


Resposta 4

Cada sensor consome:

50 mA

Temos 10 sensores:

10 × 50 mA = 500 mA

Convertendo:

500 mA = 0,5 A

Portanto, os dez sensores juntos consomem 0,5 A.


Resposta 5

Somamos as correntes:

0,8 + 1,0 + 0,5 + 0,7 = 3,0 A

Portanto, a carga total exige:

3 A

Calculando a potência:

P = V × I

P = 24 × 3

P = 72 W

Assim, os equipamentos representam uma carga de aproximadamente:

24 Vcc / 3 A / 72 W

Importante: na prática, normalmente não selecionamos uma fonte exatamente no limite calculado. Devemos considerar margem de projeto, corrente de partida, expansão futura e as recomendações dos fabricantes dos equipamentos.


Conclusão

Compreender tensão, corrente, resistência e potência é fundamental para avançar nos estudos de automação industrial.

Essas grandezas aparecem diariamente em fontes de alimentação, sensores, CLPs, IHMs, relés, contatores, válvulas, motores e diversos outros equipamentos.

Neste artigo aprendemos que:

Tensão (V) representa a diferença de potencial elétrico.

Corrente (A) representa o fluxo de cargas elétricas.

Resistência (Ω) representa a oposição à passagem da corrente.

Potência (W) indica a taxa de utilização ou transformação da energia elétrica.

Também conhecemos a Lei de Ohm e realizamos cálculos simples semelhantes aos encontrados em situações práticas de automação.

Dominar esses fundamentos tornará muito mais fácil compreender os próximos assuntos.

No próximo artigo, vamos estudar corrente contínua (CC) e corrente alternada (CA), entendendo suas diferenças e onde cada uma é utilizada na automação industrial.

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